AS MARCAS DA ÁRVORE E DA INFÂNCIA

3/5/20251 min read

Em frente à casa de minha avó, havia uma árvore volumosa, carregada de folhas. Fazia uma sombra refrescante em dias de calor. As despedidas ocorriam ali, sob a sombra da árvore e com algumas lágrimas que escorriam ao ver os netos disparando até o carro. Acenávamos com as mãos, através do vidro, até que a perdêssemos de vista.

Os anos foram se passando e, certa vez, ouvi os adultos dizendo que a árvore estava danificando a calçada e que, se nada fosse feito, as raízes entrariam para dentro da casa. Aquela árvore que tantas vezes foi cenário de encontros de família, precisou ser cortada. Ficou o pedaço do tronco e as rachaduras na calçada.

Na mesma época, percebi minha avó mais debilitada. As despedidas já não eram mais feitas embaixo da árvore, pois ela não estava mais ali, e minha avó já não conseguia chegar até a calçada. Ao ir embora, passava pelo portão e encontrava as marcas que a árvore havia deixado.

Depois de tanto tempo, ao ouvir o relato de algumas famílias, tenho me dado conta de que as raízes costumam deixar marcas. A infância deixa marcas. Hoje, marco a infância com as palavras. As raízes ficaram.